Curso e Prêmio Ricardo Boechat: Desafios jornalísticos em meio à pandemia

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Em setembro de 2019 o Curso e Prêmio Ricardo Boechat de Jornalismo teve seu início, e finalizou no mês de maio. O ano de 2020 trouxe a fase prática do curso, mas devido à pandemia ela ocorreu por meio de videoconferências, e para para ajudar os alunos nesse período conturbado, o prazo da entrega da reportagem aumentou. Os alunos foram orientadores para fazer as entrevistas de forma remota a fim de evitar riscos de contagio.

Os estudantes se reuniram em coletivos de reportagens para desenvolver suas matérias, e no dia 25 de maio entregaram seu trabalho finalizado para os responsáveis pelo curso. Além das reportagens em grupos, os alunos escreveram ensaios para um livro sobre jornalismo político que será lançado no segundo semestre com o selo da Escola do Parlamento Dr. Osmar de Souza. Segundo o criador do curso Roberto Lamari, diretor da geral da Escola do Parlamento, “apesar do ter sido pensado como presencial, alunos e professores rapidamente se adaptaram. Todos tiveram que superar suas limitações pessoais e técnicas. Penso que o objetivo foi atingido e todos estão de parabéns”.

A coordenadora do curso e do prêmio, a jornalista e professora, Cilene Victor, contou no início do curso que ele é importante para solidificar a democracia. Ela conta que a posição firme do Boechat principalmente no rádio era precisa, onde fazia críticas a ambos os lados. “Hoje, ainda mais do que nunca, um jornalista como ele seria importante. Seria interessante saber suas opiniões e seria bom ter sua ajuda na batalha da democracia contra o totalitarismo”, afirmou a professora.

Em conversa com os alunos entendemos melhor como foi concluir sua pauta na pandemia.

Deise Dantas tem 35 anos, mora no Taboão da Serra e foi aluna presencial do curso. A matéria do seu coletivo foi sobre “ocupações”, que explorou também temas como déficit habitacional e preconceito, e trouxe histórias de pessoas que moram em ocupação. Por ser um tema muito delicado e íntimo, Deise afirmou que buscou humanizar sua reportagem, mas a pandemia dificultou o contato que seu coletivo teria com as fontes. “Fazer as reportagens de forma remota pode causar uma impressão de despreparo, e acabaria não tendo a conotação que sempre almejamos que era fazer uma reportagem de qualidade e humanizada”.

O curso também teve uma versão EAD (Educação à Distância), onde a catarinense de Joinville, Juny Hugen, 23, foi aluna. Por meio do WhatsApp, ela nos contou como foi a sua participação no curso, o tema da reportagem do seu coletivo e as dificuldades encontradas.

O paulista Henrique Nascimento, 28, afirma que, jornalisticamente, todos os problemas são uma questão de adaptação e de aprender com seus erros e acertos. O aluno teve como tema “educação política”, focando em como a educação formal em política para jovens reflete na sociedade e mostrando também lideranças políticas jovens. “Uma de nossas entrevistas não gravou o áudio, o que nos prejudicou. Também tivemos dificuldade para que a gente pudesse executar tudo da forma como gostaríamos: ir atrás de mais fontes, conhecer outras jovens lideranças e contar histórias”, conta Henrique sobre seus principais desafios durante a pandemia.

Apesar da paralisação ter dificultado a apuração de informações e entrevistas para as reportagens, os alunos estão saíram do curso com uma visão positiva. Deise afirma que gosta de pensar na persistência como um mantra para o jornalista, que apesar das adversidades deve-se ir até o final. “A vontade de fazer a matéria foi maior que tudo e meu grupo não descansou até o final”, disse Deise.

Para Juny, seu conhecimento político hoje é muito mais consistente e embasado por conta de seu aprendizado no curso. “Achei muito bacana a pluralidade de vozes e temas que trouxeram pra nós. Todos os sábados tinham três professores com excelentes currículos, sempre tratando de assuntos importantes e diferentes”, lembrou Juny, destacando a qualidade e a gratuidade do curso.

Henrique lembra do começo do curso, quando esteva muito receoso por considerar política um assunto difícil, mas diz que aulas fizeram com que ele entendesse com clareza. “Eu ficava frustrado quando colegas não apareciam nas aulas. Era uma oportunidade de ouro sendo desperdiçada”, comenta Henrique, que tem a vontade de que mais pessoas façam o curso.